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Alheio

  • 11 de nov. de 2015
  • 1 min de leitura

- Não!

- Nunca! - Jamais! E assim termina mais uma vez a briga do casal do apartamento ao lado. Mais uma vez ela bate a porta da frente com força e sai apressada. Mais uma vez escuto o barulho dos seus sapatos altos pelo corredor. Quanto tempo ela ficará fora desta vez? Um dia? Uma semana? Um mês? Mas ela volta. Ela sempre volta. Eu não sei se é ele quem pede para ela voltar. Não sei se é ela quem sente saudades. Não sei se eles se encontram para conversar. Mas ela sempre volta. - Sim! - Sempre! - Eternamente! E pelas paredes finas que separam nossos apartamentos, ouço estas palavras entre risos e sussuros. Eles são um casal intenso e drástico. Dramático, como eu gosto de chamar. No amor e no ódio, as palavras proferidas vão de um extremo ao outro, e são sempre taxativas. “Sempre”... “Nunca”... Assim, observo os altos e baixos do casal vizinho. Coloco todos os defeitos possíveis na vida alheia. Faço críticas mentais. Debocho. Como conseguem viver estes sentimentos, como se a vida fosse uma montanha-russa? E assim, sigo a vida alheia, alheio a mim.


 
 
 

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